26/06/09

"Avenida Paulista não é local ideal para Parada Gay", diz coronel da PM


Após o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, declarar que a Avenida Paulista é um lugar inadequado para a realização da Parada Gay, ontem foi a vez do comandante-geral da Polícia Militar do estado, coronel Álvaro Camilo, reiterar a mesma opinião.

"A avenida Paulista não é o local ideal para grandes eventos. Existem mais de 20 hospitais na região e por ali passam 240 linhas de ônibus. Se você fecha a Paulista sem planejamento a cidade para", disse o coronel ao G1.

Reunido com representantes da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT), o coronel, no entanto, não apontou outro lugar para a realização da Parada. "Isso precisa ser conversado com a Prefeitura e com os órgãos competentes", completou.

Para Alexandre Santos, presidente da APOGLBT, "é uma pena" se a Avenida Paulista deixar de sediar o desfile. "Já foi comprovado que a manifestação é pacífica. Mas o que importa é priorizar a segurança. Temos que sentar e esgotar todas as possibilidades [de negociação]".

Sobre as ocorrências em lugares próximos a Parada durante a manifestação, o coronel declarou que "infelizmente, a polícia não é onipresente". Segundo ele, tem coisas que fogem do controle da polícia. "Queria que ninguém tivesse se ferido", afirmou.

De acordo com a Polícia Militar, cerca de 1,5 mil PMs participaram da segurança na região, além de seguranças contratados pelos organizadores do evento.

Para 2009, o coronel afirmou que o policiamento será intensificado em regiões próximas a Parada, onde os participantes costumam se reunir após o desfile. Na semana passada, um rapaz morreu depois de ter sofrido traumatismo craniano em decorrência de ter sido espancado na rua Araújo, no centro, no dia da Parada

http://www.acapa.com.br/site/noticia.asp?codigo=8560&titulo=%22Avenida+Paulista+n%E3o+%E9+local+ideal+para+Parada+Gay%22%2C+diz+coronel+da+PM

ABGLT pede a Faustão que pare com piadas homofóbicas


Em carta aberta enviada esta semana ao apresentador Fausto Silva, o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, criticou a maneira como a homossexualidade é citada no programa Domingão do Faustão, da TV Globo.

Reunindo algumas expressões que foram ditas pelo apresentador, como "gazela", "boiola", "libélula", entre outros, Toni Reis alertou sobre as consequências que sofrem os LGBTs em decorrência da homofobia.

"Fausto Silva, você sabia que a maioria dos pais não gostaria que seus filhos fossem gays, lésbicas, travestis ou transexuais porque temem que seus filhos e filhas sofram violência, discriminação e por serem motivo de piadas de mau gosto e assédio moral?", indaga.

No final da carta, Toni Reis pede para que Fausto Silva contribua de "forma cidadã e divertida" com o combate à discriminação contra os homossexuais, e pede sua ajuda para divulgar a campanha "Não Homofobia".

Veja abaixo a carta na íntegra.

Fausto Silva,

Tomo a liberdade de me dirigir publicamente a você, infelizmente ao que parece meus e-mails anteriores não chegaram até você.

Sou paranaense, professor, tenho 45 anos e vivo há 19 anos como meu companheiro David. Ano que vem completamos nossas bodas de porcelana.

Geralmente assisto a seu programa, principalmente às vídeos cacetadas. Te admiro pela inserção no seu programa de matérias e quadros de cunho social e principalmente pelo seu bom humor. Enfim, Faustão você é gente boa. Sabemos por sentir isso e por declarações de muita gente que fala de você como alguém muito generoso com todos.

Seu programa é muito assistido e admirado por milhões de brasileiros e de brasileiras. Você é referência nacional,como apresentador.

Com certeza suas opiniões influenciam no comportamento dos seus(as) telespectadores(as).

Dirijo-me a você Faustão de uma forma, amistosa e gentil para falar do meu descontentamento sobre a forma como você aborda a homossexualidade no Domingão do Faustão. Esse é nosso papel na luta pela inclusão social e respeito à nossa forma de ser.

Veja uns exemplos:

10/05/2009 – você referiu um "suposto" homossexual pelo termo GAZELA

17/05/2009 – você refere-se a um "suposto" homossexual pelo termo BOIOLA

17/06/2009 - diz que um “suposto" homossexual MORDE A FRONHA

17/06/2009 - No programa leva ao ar o comentário do participante Leandro Hassun : ISTO É UMA BICHONA!

2009 - refere-se ao suposto homossexual pelo termo LIBÉLULA

2009 – ao ver dois homens se cumprimentando, diz: ISTO É COISA DE BOIOLA!

Estes são alguns poucos exemplos durante os quais a platéia ri de uma situação que é muito triste no Brasil e no mundo: a Homofobia.

Fausto Silva, você sabia que em sete países há pena de morte para os homossexuais e 80 países criminalizam os atos homossexuais? Que no Irã gays são enforcados em praça pública?

Que na pesquisa da UNESCO publicada em 2004 consta que 40% dos adolescentes não gostariam de estudar com um gay, uma lésbica ou uma pessoa trans? Que se utilizam dos mesmos adjetivos listados acima para nos designar? Inclusive eu mesmo já fui taxado assim na escola nos velhos tempos. No programa Profissão Repórter do competente Caco Barcelos (exibido no dia 19/05/2009) a reportagem apresentou a triste história de Iago um adolescente de 14 anos que se suicidou porque era discriminado na escola. Infelizmente isso é muito comum.

Faustão, você sabia que na última Parada LGBT (conhecida como parada Gay) de São Paulo 22 pessoas foram feridas com uma bomba que uma pessoa jogou de um prédio, e que numa Rua próxima a Praça da República -no final da parada - um gay de 35 anos apanhou tanto que sofreu traumatismo craniano e morreu?

Fausto Silva, você sabia que a maioria dos pais não gostariam que seus filhos fossem gays, lésbicas, travestis ou transexuais porque temem que seus filhos e filhas sofram violência, discriminação e por serem motivo de piadas de mau gosto e assédio moral?

Aqui em Curitiba, cidade em que vivo, no ultimo mês 6 travestis e um gay foram barbaramente assassinados. E aqui e outras cidades somos perseguidos por grupos de extermínio como skinheads. Nos últimos 20 anos 2992 pessoas LGBT foram barbaramente assassinadas pelo simples fat ode serem LGBT, segundo pesquisa do Grupo Gay da Bahia.

O Código de ética dos jornalistas, (artigo n° 10, item d), a Resolução nº 489 do Conselho Federal de Serviço Social e Resolução nº 001/99 do Conselho Federal de Psicologia, todos determinam que os respectivos profissionais dessas áreas devam respeitar a orientação sexual e a identidade de gênero de todas as pessoas.Lutamos para que sejamos respeitados como cidadãos com direitos e sem medo de viver.

Atualmente são realizadas no Brasil 150 Paradas LGBT, esses eventos têm como objetivo pedir respeito e consideração a nossa condição de cidadãos e cidadãs. Inclusive, o próximo domingo - 28 de Junho - é o Dia Internacional do Orgulho LGBT, e será comemorado em várias cidades no Brasil e no mundo inteiro.

O atual governo federal elaborou o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, com 180 ações contra a homofobia e a favor do respeito à diversidade humana, fruto de conferências LGBT nas 27 unidades da federação e da 1ª Conferência Nacional LGBT, cuja abertura foi prestigiada pelo presidente da república.

No Congresso Nacional existe uma Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT com 250 parlamentares (deputados(as) e senadores(as)) participantes que querem a criminalização da homofobia.

Neste sentido, Faustão, gente boa, gostaria muito que ao se referir a LGBT ou pessoas supostamente LGBT, você se dirigisse com mais respeito, na boa mesmo. Sem ressentimentos.

Piadas e chacotas podem levar adolescentes a cometer suicídio, podem levar pais e mães a expulsarem seus filhos de casas, podem reforçar atitudes violentas contra LGBT.

Faustão é triste e é dolorido ser discriminado. Sei que você nunca quis fomentar a violência, por isso Faustão nos ajude a diminuir a discriminação no Brasil. Não encare isto como censura ou policiamento do politicamente correto.

Afinal, nossa constituição é clara nos seus artigos 3º e 5º quando diz todos são iguais e não haverá discriminação de qualquer natureza.

Vamos construir um Brasil em que caibam todas as cores.

Vamos viver em harmonia como as cores do Arco-íris.

Se a cultura é adquirida, conforme definiu Lévi-Strauss, também pode ser mudada. Nos ajude a mudar essa cultura homofóbica.

Para citar também Nelson Mandela:

Ninguém nasce odiando outra pessoa
pela cor de sua pele,
ou por sua origem, ou sua religião.
Para odiar, as pessoas precisam aprender,
e se elas aprendem a odiar,
podem ser ensinadas a amar,
pois o amor chega mais naturalmente
ao coração humano do que o seu oposto.
A bondade humana é uma chama que pode ser oculta,
jamais extinta.

Por meio desta carta aberta peço que de uma forma cidadã e divertida nos ajude a combater a violência, a discriminação, preconceito e principalmente as mortes contra a comunidade LGBT.

Conto com você e ajude-nos a divulgar a campanha
www.naohomofobia.com.br que pede pela aprovação da Lei que criminaliza a Homofobia.

Um abraço,

Toni Reis
Professor, Especialista em Sexualidade Humana, Mestre em Filosofia em ética e sexualidade e Doutorando em Educação.
Presidente da ABGLT - Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

Fonte: http://www.acapa.com.br/site/noticia.asp?codigo=8570&titulo=ABGLT+pede+a+Faust%E3o+que+pare+com+piadas+homof%F3bicas

Uma das maiores divas do século XX completa 40 anos de morte juntamente com a rebelião de Stonewall. Mera coincidência?


Uma das maiores divas do século XX completa 40 anos de morte juntamente com a rebelião de Stonewall. Mera coincidência?

Para uns, ela foi uma espécie de "mártir da instabilidade". Já para outros, "a mais controvertida figura do showbusiness americano". Para muitos, no entanto, foi uma autêntica Diva. Neste ano, a dona de toda essa controvérsia, a atriz e cantora Judy Garland, completa quatro décadas desde que, enfim, partira para a "terra de céu azul onde os sonhos se realizam", que tanto cantou em Over the rainbow, música de "O Mágico de Oz", que a consagrou como estrela internacional ainda na adolescência.

Entre uma vida de altos e baixos, ela conquistou principalmente o público gay numa época em que praticamente não havia ídolos em quem se espelhar. Curiosamente, seu velório, em Nova York, coincidiu com a rebelião de Stonewall, ocorrida na madrugada de 28 de Junho de 1969, considerada um marco na luta moderna pelos direitos dos homossexuais. Há quem defenda a teoria de que nada teria acontecido - pelo menos naquele momento - se ela estivesse viva. Afinal, a sua morte teria desencadeado a rebelião ou tudo não passou de mera coincidência?

Questão de identificação
Não é difícil imaginar uma explicação para esse elo forte entre Garland e as bees de sua época. Ícones gays estão em toda parte hoje: em seriados, no cinema, na moda e em outros segmentos. Mas no tempo em que era crime dançar ou beijar outro homem, sair do armário não era opção. Não havia modelos gays a serem seguidos nem as cobiçadas cuecas Calvin Klein. A que se apegar então? A solução era apelar para as deusas do showbusiness ou "divas". O termo, inicialmente usado pelos gregos na antiguidade para se referir à esposa de Zeus (Hera), foi apropriado pela indústria do entretenimento na década de vinte, quando começaram a emergir das telas e dos palcos mulheres com atuações marcantes. Judy não foi a primeira, mas, sem dúvida, foi uma das mais importantes. Considerada a "Elvis dos homossexuais" pela revista The Advocate, ela reunia em uma única pessoa três aspectos que encantavam os gays: admiração como performer, uma vida dramática, além do seu jeito afetado e exagerado de se expressar.

O fato foi comprovado por reportagem na revista Time, em 18 de Agosto de 1967, sobre um show de Judy no Palace, em Nova York. "Curiosamente, uma parte desproporcional de sua claque parece ser de homossexuais. Os garotos de calça apertada reviram os olhos, rasgam os cabelos e praticamente levitam de seus assentos, particularmente quando Judy canta: If happy little blue birds fly / beyond the rainwbow / why oh why can't I", disse a revista americana, que relatou ainda a presença de um fã brasileiro na plateia. No mesmo texto, a psiquiatra Leah Schaefer afirma que tal atração ocorre porque Judy teria "sobrevivido a diversos problemas e os homossexuais se identificam com esse tipo de histeria". Para o também psiquiatra Lawrence Hattere, "Judy tomou porrada da vida, se preparou para os combates e se tornou mais masculina, tendo o poder que os gays gostariam de ter".

Metáforas de Oz
O pontapé desse processo todo foi a interpretação da pequena e adorável Dorothy, de "O Mágico de Oz". Judy tinha apenas quatorze anos, mas já protagonizava uma grande produção. O filme, lançado há 70 anos, conta a saga de uma garota frágil, órfã e incompreendida de uma cidade pequena do Kansas, que viaja por meio de um furacão até um mundo colorido e cheio de novidades. Lá, encontra um espantalho desajeitado, um homem de lata e um leão um tanto efeminado que ajudam em sua jornada até a mística Oz. A cena mais emblemática ocorre ainda no início do filme: depois de indagar "onde haveria uma terra sem problemas", Dorothy, com sua voz de rouxinol, canta os famosos versos de Over the rainbow - música absorvida rapidamente por gays de todo o globo como um hino.

Ironicamente, na vida real, Judy não seria diferente. Dizem, inclusive, que no dia de sua morte, um furacão teria passado pelo Kansas. Do filme, surgiu ainda a expressão "amiga de Dorothy", uma maneira sutil de tirar alguém do armário. De certa forma, Oz serviu de espelho para milhares de homens que desejavam escapar das limitações de uma cidade pequena e partir para lugares maiores que os aceitassem.

Mais tarde, em várias de suas performances, a atriz teria continuado a falar ao coração dos homossexuais, como na canção The man that got away sobre um amor não-correspondido. E muitos antes da existência do hino Go West, do Village People, Garland já cantava San Francisco, proclamando: Saaaan Fraaaan-cisco. When I arrive, I really come alive. Sabendo ainda de sua notoriedade entre os gays, certa vez, ela teria dito: "Tenho visões de, quando morrer, bichas cantando Over the rainbow e da bandeira de Fire Island (balneário gay) estar a meio mastro". Dito isso, nada mais nada menos do que 20 mil pessoas compareceram ao seu velório, incluindo membros da Família Kennedy. De acordo com o diretor da capela Campbell, em Nova York, "não havia nada igual desde a morte do ator Rodolfo Valentino, em 1926". Frank Sinatra teria dito ainda: "Nós seremos esquecidos. Judy, não".

Morte e relação com Stonewall
Como se não bastasse o funeral, os meios de comunicação daquele país deram uma parcela significativa de contribuição para a comoção do público, conforme constatou Williamson Henderson, de 57 anos, veterano de Stonewall: "Ela morreu num domingo, mas a emoção das pessoas foi sendo construída durante toda a semana, na medida em que Judy estampava diversas capas de jornal". No Brasil, a morte da estrela também foi notícia em diversos veículos. A revista Manchete, em 05 de Julho de 1969, noticiava: "Judy morreu aos 47 anos, como se tivesse vivendo 100, com a fisionomia dolorosamente marcada pelo desequilíbrio emocional e as crises nervosas, cinco casamentos, uma hepatite crônica e mais de uma tentativa de suicídio, excesso de bebidas e abuso de tranquilizantes, êxitos e fracassos profissionais igualmente vertiginosos". Embora Stonewall tivesse ocorrido na mesma época, a mídia brasileira sequer publicou uma nota sobre o fato.

Williamson, que também é presidente da Associação de Veteranos de Stonewall, afirma que Judy teve tudo a ver com a rebelião. "Quem diz o contrário não estava lá. O quebra-quebra não teria acontecido se Judy estivesse viva", afirma. Ele lembra o clima no dia. "Fui ao funeral, estava chocado. Muitos estavam na praia gay, no Brooklyn, ouvindo as músicas dela, tocadas exaustivamente nas rádios. Depois todos foram para os bares, especialmente o Stonewall. Falavam de seus filmes, músicas, problemas. Estávamos tristes. Alguns choravam e até faziam um brinde à 'Santa Judy'. Várias vezes ela disse que éramos especiais e que nos amava. À uma da manhã, os policiais chegaram", relembra. Ainda segundo o veterano, os policiais atacaram o bar na noite errada. "Alguns deles admitiram que foi burrice ter feito aquilo na parte gay do Village e da Christopher Street no dia do funeral da Judy. Foi um ato desrespeitoso", criticou Williamson.

Outro veterano, o escritor Warren Allen, de 88 anos, conta uma curiosidade sobre o bar, envolvendo a diva: "A vida gay na década de 70 era aventura e mistério. Stonewall era escuro, frio e sujo. As bebidas eram aguadas. Não havia água corrente para lavar os copos. Muitos jovens frequentadores eram menores de idade. Para entrar, tínhamos que assinar um livro de visitas - dúzias de Frank Sinatras e Judy Garlands estiveram por lá", relembra.

:: Leia AQUI biografia de Judy Garland.

* Matéria originalmente publicada na edição 23 da revista A Capa - Junho 2009

http://www.acapa.com.br/site/noticia.asp?codigo=8579&titulo=Morte+de+Judy+Garland+pode+ter+motivado+levante+de+Stonewall