24/03/09

Por que incomodamos tanto?

Psicóloga discute o preconceito contra gays e lésbicas e levanta suas causas

Por Regina Claudia Izabela*
Publicado em 23/3/2009 às 12:00






Crédito: Tobi Wan/Reprodução
Preconceito: é hora de abrir nossas mentes





Olá meninas! Novamente quero agradecer a todas pelos elogios, pelas críticas e pela receptividade com que abraçaram a coluna. Todo começo é difícil, mas eu encaro essa dificuldade como um aprendizado e digo “obrigada” por me ensinarem a cada dia, com essa troca que nos foi possibilitada.

Às vezes eu gostaria de gritar e dizer ao mundo o quanto é triste conviver com preconceitos. A nossa sexualidade, a nossa aparência, a nossa raça, a nossa religião ou o que quer que seja estão sujeitos aos preconceitos. No entanto, as nossas conveniências pessoais ainda nos impossibilitam de nos desvincularmos totalmente do que a sociedade espera de nós, daí a dificuldade de tratarmos esse tema.

O próprio nome parte de pré-conceito: é um conceito prévio sobre coisas e situações desconhecidas. Como nós, que somos tão inteligentes, podemos cometer tamanho deslize perante nossa condição de animais pensantes? A questão é que não só podemos como cometemos. O melhor da nossa humanidade é que, exatamente por sermos inteligentes, podemos mudar a partir do momento em que entendemos tais deslizes como (agora vou usar uma palavra que remete a muitas elaborações) defesa.

Sim, quando olhamos para alguém e fazemos uma critica prévia, podemos dizer que isso é preconceito, e se formos um pouquinho mais longe podemos dizer que é um pré-conceito por defesa. O que nessa pessoa te incomoda tanto? O que ela tem, ela mostra, ela é, que toca você de alguma forma? Esta é uma pergunta que cabe individualmente a cada um de nós. Entretanto, o que me preocupa mais aqui é: por que a sociedade se incomoda tanto com a homossexualidade?

Na minha concepção de psicóloga, acredito que esse pré-conceito social é uma defesa contra aquilo que é diferente e que, de certa forma, faz com que cada preconceituoso no seu íntimo pense: como será que eles são? Como será que é ser? O que será que eles têm que eu não tenho? Questionamentos... Pois é, ninguém quer problemas, no mundo já existe demais, o mais fácil mesmo é rotular: homossexualidade é errado, heterossexualidade não. E assim caminha a humanidade... não, não somos assim não é mesmo?

Se partirmos do princípio que o que importa realmente nessa vida é ser feliz, como vamos conseguir conviver com uma mentira que contamos a nós mesmos para alegrar e satisfazer, única e exclusivamente, a tal da sociedade?

Se nascermos para sermos felizes, temos o dever de fazer o mundo e mais, cada vez mais, maravilhoso para se viver e vamos conseguir isso compreendendo que não há mais tempo para nos “defendermos” com posicionamentos do tipo devo ou não devo, pois a única pessoa a quem devemos algo é a nós mesmos.

* Regina Claudia Izabela é psicóloga e escreve semanalmente neste espaço. Participe, envie perguntas ou comentários para o e-mail claudia@dykerama.com.

Faculdade expulsa de moradia aluno acusado de espancar estudante gay

Um aluno de engenharia acusado de ter agredido o estudante de Artes Visuais, Fernando Ferreira, de 22 anos, dentro da Moradia II (alojamento dos alunos) por conta de sua orientação sexual, será expulso do conjunto dos alunos, segundo informa a assessoria de imprensa da Universidade Federal de Minas Gerais.

Segundo a assessora, as medidas podem não parar por aí. "Na segunda-feira haverá uma reunião com o conselho da Universidade para discutir uma provável expulsão do aluno", comunicou a universidade. Por meio da assessoria, a vice-reitora Heloisa Starling, disse não admitir esse tipo situação no campus da faculdade.

Na reunião de segunda-feira também será aberta uma sindicância para apurar um provável descaso por parte da segurança do alojamento. Segundo a denúncia de Fernando Ferreira, os seguranças permaneceram omissos por um bom tempo e poderiam ter evitado parte da agressão.

O caso

Na madrugada de sexta para sábado (14/03) o estudante Fernando e sua amiga Adriana chegavam da rua. Quando ambos estavam próximos a entrada do Moradia II, Fernando foi surpreendido pelas costas pelo aluno V. S. e agredido com um chute.

Ao conversar com a reportagem do A Capa o estudante de Artes Visuais contou que na primeira agressão correu para dentro da Moradia II. "Pensei que lá dentro estaria mais seguro por conta dos seguranças, mas eles não fizeram nada", relata. A sua amiga tentou defendê-lo, porém também foi agredida pelo garoto e pela namorada dele com chutes nas costas. "Se os seguranças tivessem intervido antes, ela não teria apanhado", cobra o estudante.

Fernando revela que durante a briga o agressor o chamava de "bichinha" e "viadinho". Segundo o rapaz, após a segurança do alojamento apartar a briga o agressor disse à sua namorada que já tinha conseguido o que queria. V. ainda proferiu ameaças e gritos de ódio como "nojo aos homossexuais". A vítima disse à reportagem que V. já demonstrava sinais de intolerância ao apelidar o quarto de Fernando de "gaiola das loucas" e declara que lá dentro "só há viados".

O aluno ficou com alguns hematomas na perna e teve o seu lábio estourado. "Agora já estou melhor", conta. Na madrugada da agressão ele fez Boletim de Ocorrência e Exame de Corpo de Delito que será encaminhado em carta à Reitoria da Faculdade. Sobre as ameaças o aluno disse temer pela sua segurança, pois conta que o agressor é uma pessoa "muito violenta". Também relata que entre alunos de engenharia é comum brincadeiras preconceituosas. "Para você ter uma ideia eles promovem o 'trote gay', vão até o campus de humanas e ficam humilhando as pessoas".

Questionado se pretendem fazer um beijaço, a exemplo da USP, Fernando disse que existe a possibilidade, mas, que também pensa em chamar algumas amigas travestis, ir a uma festa do pessoal de engenharia e "ficar por lá e ver o que acontece". Fernando foi assessorado pelo Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual (GUDDS) que encaminhou carta à diretoria do alojamento para expulsar o aluno agressor do Moradia II. O grupo também pediu a expulsão do aluno da instituição. Daniel Arruda, membro da entidade, disse que por enquanto o grupo deve esperar os resultados da ações constitucionais, para depois pensar em algum tipo de manifestação.

http://www.acapa.com.br/site/noticia.asp?codigo=7645&titulo=Faculdade+expulsa+de+moradia+aluno+acusado+de+espancar+estudante+gay

20/03/09

Obama apoiará declaração dos direitos homossexuais proposta pela França na ONU

Por Redação 18/3/2009 - 17:09




A adminstração do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, está perto de declarar apoio à declaração apresentada pela França as Nações Unidas que tem por objetivo proteger a homossexualidade em todo o mundo. Esse texto foi rechaçado pelo ex-presidente, George W. Bush.

Representantes do governo Obama requisitaram o texto francês para ser apresentado à administração e há uma grande expectativa de que presidente assine a referida carta. O novo governo norte-americano espera com esse ato mostrar ao mundo de que é a favor dos Direitos Humanos universais.

http://www.acapa.com.br/site/noticia.asp?codigo=7624&titulo=Obama+apoiar%E1+declara%E7%E3o+dos+direitos+homossexuais+proposta+pela+Fran%E7a+na+ONU

Marrocos: 25 gays foram presos durante festa religiosa

A Confederação Espanhola Colegas de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais denunciou a prisão de 25 homossexuais no Marrocos durante uma festa popular e religiosa em Mequinez, região próxima da cidade de Meknes.

A imprensa local noticiou as prisões citadas acima que ocorreram durante o Musem (festa religiosa) de Sidi Ali Bem Hamdouch, onde tradicionalmente homossexuais marroquinos se encontram para celebrar ritos religiosos. No ano passado foram preso 14 homossexuais na mesma festa.

O grupo Colegas emitiu nota dizendo estar muito preocupado por conta da "onda anti-homossexual" nas forças de segurança do Marrocos, que tem feito pressão contra a população gay. O caso se agravou após islamistas criarem um factóide social e midiático posterior à visita do grupo espanhol.

A situação fica ainda mais tensa por que os grupos islâmicos do Marrocos se aproveitam da questão homossexual para criar um mal estar na sociedade e dessa maneira fazem da perseguição aos gays a sua principal bandeira política. Para os ativistas o governo marroquino não pode ceder a chantagem islamita.

Para ajudar a libertar os LGBT em situação de cárcere o grupo Colegas inciará uma campanha internacional para que se revogue o artigo 489, que criminaliza os atos homossexuais. Eles esperam conseguir apoio do Parlamente Europeu nessa campanha.

http://www.acapa.com.br/site/noticia.asp?codigo=7625&titulo=Marrocos%3A+25+gays+foram+presos+durante+festa+religiosa+

Por que a homossexualidade incomoda tanto?

Psicóloga discute o preconceito contra gays e lésbicas e levanta suas causas

Por Regina Claudia Izabela*
Publicado em 19/3/2009 às 00:31






Crédito: Tobi Wan/Reprodução
Preconceito: é hora de abrir nossas mentes





Olá meninas! Novamente quero agradecer a todas pelos elogios, pelas críticas e pela receptividade com que abraçaram a coluna. Todo começo é difícil, mas eu encaro essa dificuldade como um aprendizado e digo “obrigada” por me ensinarem a cada dia, com essa troca que nos foi possibilitada.

Às vezes eu gostaria de gritar e dizer ao mundo o quanto é triste conviver com preconceitos. A nossa sexualidade, a nossa aparência, a nossa raça, a nossa religião ou o que quer que seja estão sujeitos aos preconceitos. No entanto, as nossas conveniências pessoais ainda nos impossibilitam de nos desvincularmos totalmente do que a sociedade espera de nós, daí a dificuldade de tratarmos esse tema.

O próprio nome parte de pré-conceito: é um conceito prévio sobre coisas e situações desconhecidas. Como nós, que somos tão inteligentes, podemos cometer tamanho deslize perante nossa condição de animais pensantes? A questão é que não só podemos como cometemos. O melhor da nossa humanidade é que, exatamente por sermos inteligentes, podemos mudar a partir do momento em que entendemos tais deslizes como (agora vou usar uma palavra que remete a muitas elaborações) defesa.

Sim, quando olhamos para alguém e fazemos uma critica prévia, podemos dizer que isso é preconceito, e se formos um pouquinho mais longe podemos dizer que é um pré-conceito por defesa. O que nessa pessoa te incomoda tanto? O que ela tem, ela mostra, ela é, que toca você de alguma forma? Esta é uma pergunta que cabe individualmente a cada um de nós. Entretanto, o que me preocupa mais aqui é: por que a sociedade se incomoda tanto com a homossexualidade?

Na minha concepção de psicóloga, acredito que esse pré-conceito social é uma defesa contra aquilo que é diferente e que, de certa forma, faz com que cada preconceituoso no seu íntimo pense: como será que eles são? Como será que é ser? O que será que eles têm que eu não tenho? Questionamentos... Pois é, ninguém quer problemas, no mundo já existe demais, o mais fácil mesmo é rotular: homossexualidade é errado, heterossexualidade não. E assim caminha a humanidade... não, não somos assim não é mesmo?

Se partirmos do princípio que o que importa realmente nessa vida é ser feliz, como vamos conseguir conviver com uma mentira que contamos a nós mesmos para alegrar e satisfazer, única e exclusivamente, a tal da sociedade?

Se nascermos para sermos felizes, temos o dever de fazer o mundo e mais, cada vez mais, maravilhoso para se viver e vamos conseguir isso compreendendo que não há mais tempo para nos “defendermos” com posicionamentos do tipo devo ou não devo, pois a única pessoa a quem devemos algo é a nós mesmos.

* Regina Claudia Izabela é psicóloga e escreve semanalmente neste espaço. Participe, envie perguntas ou comentários para o e-mail claudia@dykerama.com.


http://dykerama.uol.com.br/src/?mI=1&cID=37&iID=2313&nome=Por_que_a_homossexualidade_incomoda_tanto?